Londres – Sobrevivendo à cidade

Londres é uma cidade incrível. Está constantemente cheia de vida, movimento e ruído. Vir para a Europa e não visitá-la, seria, no mínimo, trágico. Quando eu estava planejando a minha Eurotrip de 2012, a Carli me contou que ela também queria ir pra lá, especialmente no dia 7 de julho, para a World Pride, a parada mundial de orgulho gay. Eu estava mais que animada em conhecer essa metrópole famosa com suas maravilhas e seu povo intensamente diverso. Mas, minha visita a Londres foi marcada por um episódio muito peculiar, o qual aconteceu no segundo dia que estávamos na cidade.

Mas primeiro, vamos voltar um pouco.

4 de julho de 2012.  

Eu, a Paige e a Carli chegamos ao Aeroporto Stansted de Londres em torno do meio dia e pegamos o primeiro ônibus até o centro de Londres. Quando chegamos à Estação Liverpool, a Paige encontrou a Alexia, uma amiga do ensino médio com quem ela ficaria em Londres. Enquanto isso, eu e a Carli fomos até a casa da Cami, a prima da Carli que graciosamente nos ofereceu o seu sofá para dormirmos nos próximos quatro dias. Naquela tarde, como eu quase não tinha dormido na noite anterior, eu tirei um cochilo enquanto a Carli e sua prima colocaram os papos em dia. À tarde, eu, a Carli, a Cami e o Adam (o marido da Cami) saímos para comer pizza e beber alguma coisa.

Da esquerda para a direita: a Carli, eu, a Cami e o Adam. Pelo jeito, esqueceram de me avisar que era para usar preto!
Felizes de estar em Londres!

5 de julho de 2012.

Eu e a Carli acordamos por volta das 10h e combinamos de encontrar a Paige e a Alexia próximo à London Bridge no início da tarde para almoçarmos e visitarmos o Museu Tate Modern. Também finalizamos nossos planos de encontrar a Minna, uma amiga da Carli que ficaria conosco na casa da Cami. Eu conheci a Minna no início do ano em Barcelona, e estava muito animada para vê-la novamente. Como ela estava chegando do aeroporto com bagagem, combinamos de encontrá-la no ponto do ônibus e ajudá-la a levar as suas coisas para a casa.

É então que as coisas começam a ficar um pouco estranhas. Eu, a Carli e a Cami saímos de casa e caminhamos até a Estação Denmark Hill, onde a Minna estaria esperando por nós. Quando estamos para virar a esquina, a Cami comenta que logo em frente está o Hospital Universitário da King’s College, caso alguém queira fazer uma visita. Rapidamente, eu digo que esse é um dos poucos lugares que não gostaríamos de ir. Acontece que, falei cedo demais.

Quando descemos a rua, avistamos a Minna. Ela nos olhou rapidamente, e por estar longe de sua grande amiga há quase um ano, decide que a melhor forma de cumprimentá-la seria com um pulo e abraço de urso. A Carli, obviamente não preparada para tanto entusiasmo, perde o equilíbrio  e as duas caem. Em câmera lenta, a cabeça da Carli bate no concreto. PÁU. Sem acreditar no que tinha visto, fui até à Carli para verificar se ela está machucada. O barulho da cabeça dela contra o chão foi tão absurdamente alto que me agachei esperando ver o pior. Vi algumas gotas de sangue caindo ao chão, verifiquei o lado da cabeça dela para achar a fonte e me surpreendi em ver que vinha do topo de sua orelha. Por sorte, estávamos em frente a um café. A Minna e a Cami correram e pegaram gelo e guardanapos. Ajudei a Carli a se sentar e nós duas tivemos um ataque de risos – de nervosismo. Enquanto estávamos ali sentadas, a cena da queda ficava repassando na minha cabeça e o som da cabeça da Carli contra o concreto ecoava nos meus ouvidos, e eu não parava de pensar “Que m#rd*! Precisamos levar essa menina a um hospital.” Como estávamos tão perto, e incertas do estado da Carli, não precisei de muito para convencer as outras que o hospital é o nosso próximo destino. Caminhamos até lá e depois de alguma papelada, a enfermeira fez um curativo nela com a habilidade de uma criança de seis anos. Avisaram-nos que provavelmente demoraria umas duas horas até que um médico conseguisse ver a Carli. Assim, ela decide que como parecia que a sua orelha amortecera a queda, ao invés de seu crânio, ela preferiu não passar o restante do dia presa em um hospital. Apesar de sua cabeça não estar inchando, somente sua orelha, ficamos de olho nela durante o resto do dia para ter certeza de que ela realmente estava bem.

Depois do acidente, a Carli nunca mais foi a mesma.

Depois de um curativo caseiro decente, por cortesia da Minna, nós finalmente fomos até o centro de Londres. A orelha da Carli continuou inchando até o nível do Hitch (sim, como no filme com o Will Smith), mas não estava mais sangrando, e a sua cabeça parecia estar bem. Monitoramos o progresso dela durante o resto da Eurotrip, e até o final, a orelha da Carli estava quase ao seu estado original de fofura. (Dizem que atualmente, quatro meses depois do incidente, a orelha parece completamente normal, e mexe bem como sempre).

Naquele dia à tarde, fomos até o Museu Tate Modern para ver uma exibição de Damien Hirst – um artista doidinho que só. Da sala de borboletas às vacas cortadas ao meio e mantidas no formol, é muita coisa para absorver. Tanto que depois precisamos sentar estilo mesa redonda para discutir o que acabamos de ver e qual seria o nosso plano para o resto do dia.

Para ler mais sobre essa exposição, clique aqui e aqui, a fonte da foto acima.
Da esquerda à direita: eu, a Cami, a Carli e a Minna.

O nosso plano acaba sendo um passeio muito necessário e depois se aventurar no Chinatown para um jantar.

Cabine telefônica de Londres – Um dever de turista.
Perto da London Eye. Ouvi dizer que a vista de lá de cima é incrível, mas entre o tempo ruim e o orçamento apertadíssimo, não entrou na nossa lista de coisas para ver e fazer. Quem sabe uma próxima vez?
Contagem regressiva das Olimpíadas de Verão de 2012! Só faltam 22 dias! Yeah, baby!
MEU DEUS. ESTOU EM LONDRES.

Também paramos no bar de vinhos, Gordon’s Wine Bar. De acordo com o site, é o mais antigo desse estilo em Londres, e acredite, é um lugar incrível. O interior parece uma adega, com teto tão baixo que quase todos precisam abaixar a cabeça para não batê-la, e ao lado de fora há um terraço comprido, cheio de mesas e sombra das árvores do parque ao lado. É um lugar ótimo para um happy hour no final do dia, ou para beliscar alguma coisa. No entanto, tivemos um pouco de azar com o horário, pois quando chegamos o lugar estava completamente lotado.

Divertindo-nos no Gordon’s Wine Bar, talvez um pouco demais?
Dentro do Gordon’s. Fonte.
O terraço, num horário bem mais tranquilo. Fonte.

6 de julho de 2012.

O dia começou com muita preguiça, mas no início da tarde fomos até o Museu Britânico que, aliás, é gigante. Caminhamos um pouco por Londres, comemos um jantar tailandês delicioso e, finalmente, encontramos com a Paige e a Alexia em um bar.

Muito britânico. Os ônibus vermelhos de dois andares, pessoas dirigindo do lado errado da rua, e os ciclistas sendo perseguidos pelos automóveis.
A única vista que tive da famosa ponte London Tower. Na verdade, nem percebi que passei nela até ver as minhas fotos à noite. Atenção para os anéis Olímpicos no canto superior direito. (Desculpem o reflexo da câmera.)
Dentro do Museu Britânico. O teto do hall de entrada é incrível.
“Trono de armas” por Cristovão Canhavato, artista moçambicano, na Galeria da África do Museu Britânico. Uma das várias peças que valem a pena ver lá.
Um pequeno, mas lindo, parque em Camden Town.
O esquilo mais amigável que já tive o prazer de conhecer, também no parque em Camden Town.
Antes de encontrar a Paige e a Alexia no bar, tivemos que matar algumas horas. Então, achamos um murinho para passar o tempo e fazer um esquenta.
No sistema de trânsito subterrâneo de Londres, conhecido como “the tube”, o tubo.

7 de julho de 2012.

Para começo de conversa, o que era para ser a maior parada de orgulho gay do mundo, acabou sendo a mais decepcionante. Devido a certas questões financeiras, houve uma decisão de fazer alguns cortes nas comemorações. Os eventos começaram e terminaram mais cedo que o normal, os carros e trios elétricos foram eliminados da parada e várias outras festas foram canceladas. Para completar, o tempo não foi o melhor, estava chovendo e parando o dia inteiro. Uma das praças organizadas para o evento tinha um palco enorme, e esperamos ansiosamente pelas apresentações, novamente decepcionadas com uma qualidade – ou falta dela – que lembra um show de talento de ensino médio. O que mais nos entreteve foi observar as pessoas e depois ir a um bar para lésbicas, Candy Bar, em Soho. Nunca havia visto tal variedade de lésbicas antes (aliás, nem depois) em um lugar tão pequeno, definitivamente uma experiência interessante.

Antes de ir ao World Pride, conseguimos fazer mais alguns passeios. Dando uma de turista em frente ao Big Ben.
Apesar dos cortes financeiros, as pessoas ainda estavam animadas sobre a parada e a participação foi grande. Mas, esperávamos coisas ótimas desse palco. Em vez disso, tivemos algumas apresentações estranhas e um belo discurso sobre a igualdade.
Drag queens israelenses. Elas eram incríveis.

No final do dia, voltamos para a casa da Cami e do Adam para arrumar as nossas coisas para ir a Dublin no dia seguinte. Para eu e a Carli conseguirmos pegar o nosso voo das 8h da manhã, tivemos que sair do apartamento às 4h, então tiramos uma soneca e partimos. A Minna ficou em Londres mais um dia e depois voltou para a Califórnia. Deixar Londres no meio da noite foi um pouco estranho, havia um silêncio que não havíamos visto até então.

Reencontramos a Alexia e a Paige no aeroporto. A Paige e eu novamente vestimos o nosso traje Ryanair, e todas passamos pela segurança do aeroporto. As camadas absurdas de roupa da Paige a levam a ser revistada pela segurança do aeroporto. Fora ela, todas saímos de Londres rindo muito.

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